25 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Contracapa | Backcover




Concluo a tour ao vol.3 com a ‘ilo da Contracapa, inspirada na página 8 do mítico AmazingSpiderman #50, que me pareceu ser pertinente para o propósito. O Infante Portugal (aka Rui Ruivo), banhado por luz celestial, afasta-se das lides heróicas e sai das ruelas lisboetas em direcção a um novo horizonte, deixando simbolicamente para trás o seu fato para ser assumido por um sucessor (ou sucessora…!).
I’m wrapping up vol.3’s tour with the Backcover ‘illo, inspired in the mythical AmazingSpiderman #50 page 8, which seemed to me pertinent for the purpose. The Infante Portugal (aka Rui Ruivo), bathed in celestial light, steps away from the heroic chores and exists the Lisbon’s streets roaming towards a new horizon, symbolically leaving behind his suit to be owned by a successor…


Tentei complementar as contracapas prévias, por António Jorge Gonçalves (vol.1) e Ricardo Cabral (vol.2), e concluir um tríptico que aludisse a Lisboa como personagem da saga e alicerçasse parcialmente o grafismo na arte digital. Enquanto desenhador, sou demasiado purista para balançar mais para a digi-art, pelo que tive de desenhar e arte-finalizar tudo na íntegra, mas fiquei contente com o resultado, que sinto ter mais que um nível de leitura e acompanha a simbologia inerente à prosa imaginada da obra; nesse sentido, saliento que o protagonista não está despido (riso), nem o ‘Infante deixou de existir; só “despiu” e largou o seu manto de herói.
I tried to match the previous backcovers, by António Jorge Gonçalves (vol.1) and Ricardo Cabral (vol.2), and conclude a triptych that alluded to Lisbon as a character in the saga and have it partially in digital art. As a penciller, I’m too of a purist to balance it more towards the digi-art, which is why I had to fully draw and ink everything, but was happy with the end result, that I feel has more than one layer of interpretation and follows with the inherent symbolism of the book’s imagined prose; in that sense, note that the protagonist isn’t naked (lol), nor has the Infante ceased to exist; he merely “took off” and left behind his hero’s coil.


Na versão final, o autor pediu-me que incluísse referências a passagens do livro, daí os cartazes na parede e jornais a esvoaçar. Obviamente, só apanha as alusões quem leu a obra, mas achámos importante frisar a pertença da ‘ilo no universo do Infante e, em particular, no marcante encerramento desta 3ª Jornada. Tentei também deixar esta ‘ilo para último, para me ser memorável o contributo final no projecto, pelo prazer que é privar com alguém como o José Matos-Cruz e a grande honra que foi contribuir para esta criação colectiva, inédita.
For the final version, the author asked to include hints to passages in the book, hence the wall posters and flying newspaper. Obviously, only who read the book gets the references, but we found important to underline this ‘illo belonging to the Infante’s creative universe and, in particular, to closing the 3rd Journey. I also tried leaving this image for last, to have it be memorable for myself as a final contribution for the project, due to the pleasure that is to deal with someone like José de Matos-Cruz and the great honor in partaking on an unprecedented collective creation such as this.

23 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa | Cover


O Infante Portugal, Condestável Lusitano & Aurora Boreal
Destacando a trindade de heróis da saga, em três gerações de paladinos portugueses, a imagem quer focar o sofrimento do Condestável e resolução do Infante, ao enfrentar a chegada da Aurora, cuja influência no seu mundo se devagar se torna tão envolvente como os ventos e efeitos boreais mostrados.
Featuring the saga’s trinity of heroes, ranging three generations of Portuguese paladins, this image conveys the Constable’s plight and Infante’s resolution, facing the arrival of Aurora, whose influence upon their world slowly becomes as permeating as the winds and borealis effects shown.


Esta ‘ilo foi feita rapidamente e das últimas para o livro. Quase não tive tempo para desenhar, pelo que saltei do esboço directo para a arte-final, após debulhar uns rabiscos e composições – estava tão clara na minha mente que senti confiança o suficiente para isso. As tonalizações (ou arte digital a cinzentos) foi puro instinto, pois já não modelava um desenho há algum tempo, mas diverti-me a fazê-lo.
This ‘illo was done on a fly, one of the last ones for the book. I barely had time to draw so I skipped to ink from the breakdowns, after mulling over sketches and compositions for a while – it was so clear in my head that I felt confident enough for it. The tonning (or greyish digital art, if you have it) was also pure instinct, given I hadn’t modeled a drawing like that in a long time, but had fun working on it.


A composição foi remontada para melhor adequar o copy, mas não foi sem conflito: o ilustrador em mim queria destacar ao máximo o desenho e o designer, por sua vez, precisava de zelar pela legibilidade da capa… Aspecto que depois correu melhor na adaptação do grafismo a banners promocionais, flyers e cartazes em que a imagem foi aplicada.
Por último, o José pediu-me para escolher a cor da cartolina de capa – como havia acontecido com os anteriores autores – e, ao lembrar da bruma verde no “Bram Stokers’ Dracula”, de Francis Ford Coppola, optei por este tom desaturado, para tentar incutir alguma bizarria e nuance de mística às imagens, assim fazendo jus ao subtítulo “Sombras Mutantes.”

The composition was reshapped to better fit the copy, but not without some conflict: the illustrator in me wanted to display the drawing to the fullest and the designer, on the other hand, needed to care for the cover’s readability… An aspect that was then dealt with better when adapting the image to apply in promotional banners, flyers and posters.
Lastly, José asked me to choose the color of the cover paper – has had happened with the previous authors – and, recalling the green mist shown in “Bram Stoker’s Dracula”, by Francis Ford Coppola, I opted for this muted tone, to try to convey some eeriness and mystical nuance to the images, and thusly have it live up to the subtitle “Mutant Shadows.”

21 setembro 2012

O Infante Portugal na Biblioteca Municipal de Cascais


Ainda uma última oportunidade para conhecerem melhor a saga de O Infante Portugal, que agora terminou no 3º volume, privando com a editora Fernanda Frazão (Apenas Livros) e com presença do autor José de Matos-Cruz e colaboradores, nesta 6ª-feira, 21 de Setembro – 21h30, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana.

Inserida nas sessões Noites com Poemas, será ali apresentado oficialmente o novo vídeo O Infante Portugal vol.3: Diário de Produção, que aborda ligeiramente os processos criativos dos ilustradores da parte do conto no livro – eu e Susana Resende, e Daniel Henriques.

Links:
Portal Câmara Municipal de Cascais
Blog Associação Cultural de Oeiras
Blog cultural Sete-Mares

O Infante Portugal vol.3: Extra



Esta última ‘ilo é também a primeira do livro. Uma espécie de imagem de frontispício e dedicatória ao Baltasar, mais do que um gato, companheiro de vida do autor, que infelizmente faleceu antes da 3ª Jornada estar terminada, mas a quem esta foi justamente dedicada. Eu e a Susana achámos por bem contribuir com um último trabalho; o meu a abrir o livro, mostrando o ‘Infante a contactar com o Baltasar, e depois o da Susana no final, com ambos a fazer uma saída de cena, juntos.
This last ‘ilo is also the first one in the book. A kind of frontispiece image and acknowledgement to Baltasar, more than a cat, a life companion of the author and spouse, that unfortunately passed away before this 3rd journey came to an end, but to whom it was justly dedicated to. Susana and I thought we should contribute with one final work; mine opening the book, showing the ‘Infante reaching out to Baltasar, and then Susana’s closing it, with both of them exiting the scene, together.

20 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo XI | Chapter Cover XI


Álvaro Pessoa
Inspirado na notória figura da cultura e mística portuguesa, o universo lisboeta de O Infante Portugal não estaria completo sem um erudito esotérico – aqui, Álvaro Pessoa, rodeado por alguns dos heterónimos, tornados entidades reais, porém espectrais, como Ricardo Campos e Elefante Elegante (do capítulo 6). Desenhado inicialmente por João Vasco Leal no vol.2 da saga, Álvaro, um óbvio pastiche de Fernando Pessoa, que é na realidade uma criação do José Matos-Cruz doutro livro, Os EntreTantos (2004, Editorial Notícias), e daí resgatado para popular esta lisboa mágica, adquire preponderância especial no último livro do ‘Infante, estando directamente associado às “sombras mutantes” aludidas no subtítulo.
Inspired in the notorious cultural and mystical Portuguese, the Lisbon scene of The Infante Portugal wouldn’t be complete without an esoteric erudite – it’s Álvaro Pessoa, here surrounded by some of his heteronyms, turned real entities, albeit spectral ones, like Ricardo Campos and Elegant Elephant (from chapter 6). First drawn by João Vasco Leal in the saga’s vol.2, Álvaro, an obvious pastiche of writer Fernando Pessoa, is in fact a creation of José de Matos-Cruz from another book, Os EntreTantos (2004, Editorial Notícias), now salvaged to populate this magical Lisbon, will acquire a special pertinence in the Infante’s final book, being directly linked to the “Mutant Shadows” mentioned in the subtitle.
Das mais importantes ‘ilos do livro, consolida o artifício, gráfico, de haver estéticas diferentes conforme a cena for espectral ou real, pois mostra Álvaro numa transfiguração para uma Lisboa paralela, fantasma, partilhada por estranhas entidades. Simultaneamente, e por esse processo, serve também para passar a tocha artística à Susana Resende, que além de ter criado a personagem Aurora Boreal (e com ela fechado o livro), vai assinar a parte do próximo livro, a ela dedicado.
Porque seria difícil à Susana, pintora de formação, fazer a coisa pela metade, como é usual em colaborações de BD, a solução foi ela ilustrar a imagem por inteiro e eu só enxertar ali, pela “magia” do Photoshop, a arte-final de Álvaro, feita à parte. Interpretar o traço da Susana não foi fácil, apesar de inicialmente me parecer que sim… Os desenhos dela têm tudo no sítio, mas escondem (à vista) uma estrutura e metodologia muito próprias, e são de um traçado descontínuo e muito expressivo que singra em particular no seu efeito global.
Podem – e devem – ver neste link os trabalhos dela para esta ilustração.

One of the book’s most important ‘illos, consolidating the graphic ploy of having different aesthetics for when the scene if real or spectral, it shows Álvaro – the real one and astral other – in a transfiguration to a parallel, ghostly, Lisbon, shared by strange entities. Simultaneously, and through this process, it also serves to pass the artistic torch to Susana Resende, who aside having created the character Aurora Boreal (closing the book with her), will draw the part of the next book, dedicated to her.
In this, because it’d be difficult for Susana, a proficient painter, to do it halfway, as is more usual in comics’ collaborations, we solved it by having her do the entire image as a whole and then me just plant there, through Photoshop “magic”, the inked Álvaro, done apart. To interpret Susana’s pencils wasn’t easy, although initially it seemed it would… Her drawings have everything just right, but hide (in plain sight) a very unique structure and methodology, and are of descontinuous and very expressive lines that succeed mainly in its whole.
You can checkout in this link – and should – her works for this illustration.

19 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo X | Chapter Cover X


 
Honório Causa
Reflexo do advogado Rui Ruivo (vulgo O Infante Portugal), enquanto contempla uma vida que não tivesse sido afectada pelas responsabilidades de herói nacional, a “metáfora jurídica” Honório Causa ressurge agora, no final de um período complexo, quando o percurso do Infante parece chegar ao fim, perante a alvorada de uma nova entidade…
Reflection of lawyer Rui Ruivo (aka The Infante Portugal), while contemplating a life unaffected by responsibilities as a national hero, the “juridical metaphor” Honório Causa resurfaces now, at the endgame of a complex time, when the Infante’s course seems to be at an end, given the dawning of a new entity…

Tive dificuldade em arranjar a composição mais feliz para esta imagem. A ideia básica estava lá e não mudou, mas quis fazê-la a melhor possível, por isso debati-me um pouco. Até pedi à SusanaResende para rabiscar sobre ela – e fê-lo maravilhosamente – para ter uma perspectiva fresca para considerar. Decidi-me por uma cena mais calma, dado que o teor deste capítulo é mais contemplativo, e tornou-se provavelmente o meu desenho favorito dos que fiz para o livro.
I had a tough time getting the composition just right in this image. The basic idea was there, unchanged, but I wanted to really make it a good one, so I struggled a bit. I even asked Susana Resende to doodle a bit around it – which she did marvelously –, so I could have a fresh perspective to consider. I decided on a calmer scene, since that mood of this chapter was to be more contemplative, and it’s probably my favorite drawing I did for book.

18 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo IX | Chapter Cover IX


Paulo Pitágoras
Numa altura de conturbação social como a presente, seria bom termos alguém como o Paulo Pitágoras como Primeiro-Ministro. Aliás, acho que foi simultaneamente movido por sátira e anseio de um dirigente condigno porque o José de Matos-Cruz criou esta personagem, que aqui conferencia com O Infante Portugal – cuja identidade secreta, o advogado Rui Ruivo, fora seu colega universitário – e partilha preocupações face a “raios de aurora forte” identificados em mapa estratosférico, que assolam o país.
In a time of social tribulation as right now, it’d be good to get someone like Paulo Pitágoras for Prime-Minister. In fact, I think it was simultaneously moved by satire and a earning for a worthy ruler why José de Matos-Cruz created this character, here meeting with The Infante Portugal – whose secret identity, the laywer Rui Ruivo, was a college colleague – and shares his worries concerning the “rays of a strong aurora” identified in a stratospheric map, which are plaguing the country.

Esta é, na verdade, a 2ª imagem que fiz da ‘ilo, tendo o protagonista na inicial (de composição completamente diferente) saído demasiado similar a um certo político populista, quando o que se pretendia era alguém estóico… Na fase da arte-final, optei por representar o Paulo com bigode apenas (à bom português!), para o diferenciar doutras figuras de barba na saga (tal como com a personagem Deodato Roble/Fado).
This is, actually, the 2nd image I did for this ‘illo, having the protagonist in the first one (of a totally different composition) come out looking too much like a certain populist politician, when we were aiming for someone more stoic… In the inking stage, I opted to represent Paulo with just a mustache (like any good Portuguese!) to differentiate him from other bearded figures in the saga (like I had done with character Deodato Roble/Fado).

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo VIII | Chapter Cover VIII



Salvador da Pátria
Esta ‘ilo marca o encontro do desalentado paladino Condestável Lusitano com o Salvador da Pátria, junto ao Monumento aos Descobrimentos, onde nos anos 40 ele havia consagrado o Condestável, aliás Pereira Dias, às suas aventuras como vingador português. É de salientar que a figura do Condestável foi criada pelo mestre José Ruy na 1ª Jornada e em nada foi alterado até agora, envergando até os seus signos mágicos, a Bussola e Ampulheta.
This ‘illo marks the gathering of the disheartened paladin Constable Lusitano with the Savior of the Fatherland, in the vicinity of the Monument to the Discoveries, where in the early 40’s he had deemed the Constable, aka Pereira Dias, to a lifetime of adventures as a Portuguese avenger. I must stress that Constable was created by master José Ruy in the 1st Journey and has remained unaltered, holding onto his magical signs, the Compass and Clepsydra.

Esta foi, salvo erro, a última imagem que fiz antes de encerrar o livro, e talvez por isso está mais solta – para mim, ao menos – do que as anteriores. A nível de referências, tentei basear o Condestável do actor Ian McKellen (Galdalf, Magneto) e o próprio Salvador em Sean Connery (James Bond), aqui muito informado pelo filme de culto Zardoz. Quis fazer alguns ornamentos na armadura, mas não houve tempo suficiente…
This one was, I believe, the final image I did before wrapping up the book, and perhaps due to that it’s looser – to me, at least – than the others. As for references, I tried to base Constable in actor Ian McKellen (Gandalf, Magneto) and Savior himself in Sean Conney (James Bond), here much informed by the cult movie Zardoz. I also wanted to do add some ornaments in his armor, but hadn’t enough time left…

17 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo VII | Chapter Cover VII


Oktobraia
Personificação da antiga União Soviética, antes de se exilar em terras Lusas após a queda do muro de Berlin, Plevna Kostoglotov foi a escolhida pelo militar Ochia Chiornia para surgir como símbolo Russo. Apesar de criada pelo fabuloso ilustrador Zé Manel, no vol.1 d’O Infante Portugal, não houve ocasião para a retractar “em fato”, mas não resisti a representá-la numa composição algo inspirada em posters de propaganda soviete.
Personification of the old Soviet Union, before going into exile in Portugal after the fall of the Berlin Wall, Plevna Kostoglotov was chosen by army man Ochia Chiornia to become the Russian symbol. Although created by the amazing illustrator Zé Manel, in O Infante Portugal vol.1, there wasn´t any occasion to depict her “in costume”, but I didn’t resist crafting a composition somewhat inspired in soviet propaganda posters.


Uns aspectos caricatos: Pus “Matuschek” na caixa de charutos de Ochia como uma pequena piada para o autor José de Matos-Cruz, em referência à cena de Shop Around the Corner, onde o actor James Stewart, um empregado na loja do sr.Matuschek, tentava vender uma caixa idêntica que tocava a célebre música “Occhi Chiornie” quando aberta. Alusão obscura, eu sei.
Também, para minha vergonha, a aparência final de Ochia foi a menos russa de todos os esboços que fiz. Aliás, por qualquer razão, ele foi-se parecendo menos e menos soviete a cada novo estudo…
A few amusing bits: I put “Matuschek” in Ochia’s cigars box as a little joke for author José de Matos-Cruz, in reference to a scene in ShopAround the Corner, where actor James Stewart, an employee at mr.Matuschek store, tries to sell a box like that one that plays the music “Ochi Chiornie” when opened. Obscure nod, I know. Also, to my shame, the final appearance of Ochia looks the least Russian of all the sketches I did. In fact, somehow he turned less and less soviet with each new study…

13 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo VI | Chapter Cover VI


Enter: Susana Resende…!
Elefante Elegante & Escudeiro Europa
Nesta próxima ilustração, contei com a participação da Susana Resende, pois, atendendo à “passagem do testemunho” no final do livro (…a Susana foi convidada a criar a figura da Aurora Boreal, a legítima sucedânea d’O Infante Portugal), decidimos que seria engraçado dividir áreas de responsabilidade e gradualmente chegar até lá, tendo-a a desenhar o que fosse cenários ou personagens etéricas, assumindo eu apenas os “reais.” Assim, em transição para uma Lisboa espectral, pejada de entidades astrais, o Escudeiro Europa é recebido pela manifestação do Elefante Elegante, de afinidades com o escritor Álvaro Pessoa. O cenário de fundo é, portanto, da autoria da Susana, mas as figuras são minhas.
In this next illustration, I was joined by Susana Resende, who, given the “passing of the baton” at the end of the book (…Susana was invited to create the look of Aurora Boreal, the Infante Portugal’s legitimate successor), we decided it’d be fun to divide areas of responsibility and have her build towards that, drawing any ethereal backgrounds and characters, while I assumed only the “real” ones. Hence, in transiting to a spectral Lisbon, filled with astral entities, Escudeiro Europa (i.e. Europe Armiger) is welcomed by a manifestation of Elefante Elegante (i.e. Elegant Elephant), who shares affinities with writer Álvaro Pessoa (a pastiche of Fernando Pessoa). The back scenery was, therefore, done by Susana, while I did the characters.
Apesar de representar o Huno/Huna ou Escudeiro Europa como fora criado pelo Luís Diferr (vol.1) e João Amaral (vol.2), pude conceber uma nova personagem – Elefante Elegante – que vi como alguém massivo e imponente, mas de uma certa classe. As referências iniciais foram os actores Marlon Brando e Sydney Greenstreet (onde fui buscar o charuto e chapéu Fez, usados em Casablanca), mas por resultar num aspecto algo ardiloso, alterei para a expressão mais simpática e jovem na imagem final.
Although I featured Huno/Huna or Europa Arminger was created by artists Luís Diferr (vol.1) and João Amaral (vol.2), I was granted the conception of a new character – Elegant Elephant – that I saw as someone massive and towering, but of a certain class. The initial references were actors Marlon Brando and Sydney Greenstreet (where I got the cigar and Fez hat, from Casablanca), but due to it resulting in a slightly leery look, I altered towards a nicer and younger expression in the final image.
Quanto ao cenário da Susana, pensámos inicialmente em localizar a acção nas Ruínas do Carmo, mas optou-se por algo alusivo ao Bairro Alto, onde se pudesse incutir uma sensação labiríntica e ‘alfacinha. Era importante o traço da Susana diferenciar q.b. do meu, pelo que ela fez por manter uma arte-final mais evocativa a gravuras, que insinuassem uma noção de ancestralidade.
As for Susana’s background, we first thought of locating the scene in the Carmo’s Cathedral Ruins, but opted for a place more relating to Bairro Alto neighborhood, where we could play to a labyrinthian and traditional Lisbon feel. It was crucial that Susana’s style differ from my own, so she tried for an inking more akin to engravings, to insinuate a certain notion of ancestry.

10 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo V | Chapter Cover V



A última participação do Daniel Henriques no livro… / Daniel Henriques’s last participation in the book…

Lúcio Olímpio
A 2ª imagem arte-finalizada pelo Daniel Henriques foi a primeira em que colaborou. A personagem, Lúcio Olímpio, é um poeta competidor do arqui-vilão d’O Infante, Nero Faial (aka Vulcão), aquando este se ausenta misteriosamente de Lisboa, deixando aberta a porta para um novo curador da Fundação de Artes Narcisistas.
The 2nd image inked by Daniel Henriques was the first he collaborated on. The character, Lucío Olímpio, is a poet competitor of The Infante Portugal’s arch-villain, Nero Faial (aka Volcano), who mysteriously vanishes from the Lisbon scene, leaving the door open for a new curator to take the Foundation of Narcissistic Arts.
A produção correu bem, embora prefira a espontaneidade do esboço original à ‘ilo acabada. O único percalço foi na recta final, quando se decidiu que Lúcio não devia estar a segurar em despeito o retrato de Nero , retirado da parede – para simbolizar a sua ausência – após o substituir na tutela da Fundação, mas sim um livro, em alusão à poesia; isto porque “Vulcão” não estaria inteiramente saído de cena…
A solução foi manipular a imagem digitalmente e, de grosso modo, voltar a pôr o quadro na parede, depois adicionando à ‘ilo um livro, também digitalmente. Coube novamente ao Daniel harmonizar estas edições na fase de arte-final (…e inclusivamente ‘inkar a minha assinatura, que eu esqueci :S).
The production went smoothly, although I prefer the original sketch’s spontaneity to the finished ‘illo. The sole hiccup came towards the end, went we decided that Lúcio shouldn’t be holding in contempt Nero’s portrait, taken down from the wall – to symbolize this one’s absence – after having replaced him in taking one the Foundation, mas rather a book, in lieu of his poetry; this, because “Vulcão” wasn’t entirely gone…
The solution was to manipulate the image digitaly and, so to speak, put the painting back on the wall, afterwards adding a book to the ‘illo, also digitally. It again fell to Daniel to harmonize all these editing on the inking stage (…and also ink my signature, that I forgot :S).


O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo IV | Chapter Cover IV


Continuando com a tour… / Continuing with the tour…


Livre Arbítrio
Como referi antes, esta não era a versão inicial do Livre Arbítrio, uma entidade projectada de Jacinto Magno. Felizmente, o José de Matos-Cruz, que além de vivido escritor tem background nas artes visuais – o que facilita fantásticos brainstormings – soube orientar-me para esta espécie de Djinn “multifacetado”, que exprime influências várias e simultâneas a Jacinto.
As mentioned before, this was not the original version of Livre Arbítrio (Free Will), an entity projected from Jacinto Magno. Fortunately, aside from a vivid writer, José de Matos-Cruz has a background in visual arts – which enables many awesome brainstormings – and therefore knew how to steer me towards this “multifaced” Djinn, that simultaneously expresses various influences on Jacinto.

A nível de produção, foi a concepção mais caótica: começou com o estudo das faces de Livre Arbítrio, rabiscado a caneta, que não era definitivo mas foi depois composto directamente na ‘ilo final. Passei a seguir à figura de Jacinto – a única parte feita tradicionalmente – que, para o tornar mais compacto, foi depois manipulada digitalmente. O resto, por questão de imediatismo, foi desenhado com Wacom – a qual, pela falta de alguns drivers, não estava lá muito cooperativa, razão porque certas áreas (braços) ficaram mais grosseiras do que outras (tronco)…
O ónus do resultado está todo no Daniel Henriques, que arte-finalizou esta imagem e em quem caiu a missão de uniformizar toda a composição, tão díspar – foi uma espécie de desafio...! A interpretação que ele tentou na névoa de Arbítrio falhou o que era pretendido, aparentemente, mas eu contínuo a preferir a tentativa dele do que o meu improviso.

Production wise, this was the most chaotic conception: it started with the faces study for Livre Arbítrio, sketched with a pen, that wasn’t to be definitive but ended up directly melded onto the final illo. I then drew Jacinto – the only part that was done traditionally – which, to make him bulkier, was afterwards digitally manipulated. The rest, for immediacy sakes, was drawn with a Wacom – which, due to lacking a few drivers, wasn’t very cooperative; reason why some areas (arms) turned out more rough than others (torso)…
The burden of the end result is all on Daniel Henriques, who inked the image and had the assignment of unifying the whole composition, disparate as it was – it’s a kind of challenge…! His interpretation of Arbítrio’s clouds effects apparently missed what he intended, but I still like his attempt better than my improvisation.


08 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo III | Chapter Cover III


A complicada imagem do 3º capítulo… / The complicated 3rd chapter image…

Fado
Aqui, o recorrente Deodato Roble, aliás Fado, conjura personagens da sua peça de teatro “Os Contrafeitos”, onde evoca pessoas do séc.19 em Portugal; nomeadamente, A Preta do Mexilhão e Júdice Xadrez, assim como Leonel Picco, munido de uma tíbia pastoril (instrumento musical antigo), que se manifestam na sua mente e numa cena tumultuosa, passada nas ruelas recônditas do bairro d’Alfama.
Here, the recurring Deodato Roble, aka Fado, conjures characters from his theater play “Os Contrafeitos”, wherein he evokes people from 19th century’s Portugal; namely, A Preta do Mexilhão (The Mussel Negro) and Júdice Xadrez, along with Leonel Picco, holding a tibia aulos (an ancient musical device), that manifest themselves in his mind and in a very tumultuous scene, in Lisbon’s alleyways of Alfama neighborhood.


Esta devia ter sido uma das imagens arte-finalizadas pelo Daniel Henriques, que ele teria feito brilhar, mas devido a outros compromissos profissionais que ele tinha na altura, tive de a resolver sozinho, razão porque optei só ‘inkar o busto de Fado – a única figura “real” na composição – deixando o resto, fictício, minuciado ao ponto de arte-finalizado com lápis. Na eventual aplicação de técnicas nas imagens do livro, para incutir realidades diferentes, esta conjuração de uma cena ficcional até caiu bem e fez sentido, retratada assim.
É de salientar ainda a concepção d’A Preta do Mexilhão, pela Susana Resende, que me salvou do vácuo criativo ao criar um look castiço e surreal para a personagem, que eu decalquei vergonhosamente para a ilustração final. Podem ver o esboço aqui.
This should’ve been one of the images inked by Daniel Henriques, which he would’ve made shine, but due to other professional engagements he had at the time, I had to solve it myself, reason why I opted to only ink Fado’s bust – the sole “real” figure in the composition – leaving the rest, fictitious, detailed to the point of being inked with the pencil. Given the various techniques we later applied throughout the book, to convey different realities, this conjuration of a fictional scene actually worked out well and made sense, portrayed this way.
I’ve also to point out the conception of Mussel Negro, by Susana Resende, that salved me from a creative void when coming up with a look that was both quirky and surreal, which I traced shamelessly onto the final illustration. Checkout the sketch here.

Links:

07 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo II | Chapter Cover II


Seguidamente, a imagem do 2º capítulo, com… / Next, the image of the 2nd chapter, featuring…

Inocêncio Perpéctuo
Esta composição mostra a entidade Inocêncio Perpétuo, que intervém e salva Ofélia Luna (a Fada) da vampira Leonor Gibrão. Admito, o apelo aqui foi em desenhar a vampira. A imagem teria passado sem ela, mas era divertido fazê-la e tentar mostrar os dois extremos – um na luz e outro nas trevas – com uma figura meio humana meio mito, no centro. Até porque desenhar um mito anglo-saxónico em confronto com um folclore pagão não é costumeiro…
This composition features the entity Inocêncio Perpéctuo (Inocêncio Perpectual) that intervenes and saves Ofélia Luna, aka Fairy, from the vampire Leonor Gibrão. I’ll admit my chief thrill here was in drawing the vamp. I could’ve easily done without her, but it was some much fun to attempt to show the two extremes – on in the light, another in darkness – with a half human half myth figure at the center. Plus, drawing an Anglo-Saxon myth facing a pagan European folklore isn’t something usual…

O problema estava no foco no Inocêncio: tentei fazê-lo luminoso desenhando o seu brilho e não traçar só o contorno, como se fosse tão brilhante que nem definia formas. Quis tentar algo mais, mas para isso tive de largar o fato completo, para facilitar a tarefa. Em suma, gostei do resultado, embora haja aspectos que podiam ter saído melhor.
The problem was the focus on Inocêncio: I attempted making him luminous by drawing his light’s sheer and not just the outline, as if he was so bright he had no defining shapes. I wanted to go for something more, but for that I had to part with his full suit, to make it easier. I liked the result, although there are some aspects that could’ve gone better.

Não há registo da fase do desenho do Inocêncio. Para apanhar o efeito do brilho, arte-finalizei instintivamente logo em cima do esboço.
I have no penciling stage for Inocêncio. To get that sheer and luminous effect, I inked it instinctively right upon the sketches.

O Infante Portugal vol.3: Capa de Capítulo I | Chapter Cover I


Após o interregno, vou seguir as ilustrações por ordem de capítulos onde surgem e não cronologicamente. Qualquer uma destas foi feita há mais de 1 ano, pelo que alguns aspectos da produção podem escapar-me...
I’ll go through the illustrations in the same order as the chapters they appear in and not chronologically. Any one of these was done well over a year ago, so some of the aspects regarding their production may escape me... 
Vulcão & Efraim Al Tothmea
O principal vilão do universo O Infante Portugal, criado por José de Matos-Cruz, o Vulcão (aliás, Nero Faial, artista e curador da Fundação de Artes Narcisistas) desapareceu da cena de Lisboa, deixando muito pó por assentar. Numa viagem mal trilhada pela Terra do Fogo e atravessando as ruínas de um antigo local Alexandrino, encontra-se com uma figura fantasmagórica – o sábio Efraim Al Tothmea.
The main antagonist in The Infante Portugal universe, created by José de Matos-Cruz, Vulcão/Volcano (aka, Nero Faial, artist and the Narcissistic Arts Foundation’s curator) has vanished from the Lisbon scene, leaving a lot of dust to settle in his wake. During a trip gone astray in the Land of Fire and crossing through the remains of an ancient Alexandrian place, he meets with a ghostly figure – the wise man Efraim Al Tothmea.
 
A ideia geral estava lá desde o começo, era só uma questão de quanta paisagem ou ruínas ia mostrar. Decidimos fazê-lo um local que o deserto teria reclamado, deixado só alguns vestígios para trás. Quanto ao vilão, o apelo de o fazer aprumado foi grande, mas consegui desarranjá-lo um pouco, para melhor narrar a situação desesperada em que estava e o choque de se cruzar com o espectral Al Tothmea.
The basic idea was there from the start, it was only a matter of how much landscape or ruins would it should. We decided to have it look like a place the desert had claimed back and left only some vague remnants behind. As for the villain, the appeal to depict him sleek was great, but afterwards managed to frazzled him a bit, to better convey his dire situation and startling at meeting the ghostly Al Tothmea.

De resto, deixei-me levar demasiado nos detalhes da arte-final, em especial na folhagem. E prefiro nem comentar o lagarto… ;)
Also, I really went overboard with detailing the inks, especially on the foliage. And I’d prefer not to comment on the lizard… ;)

06 setembro 2012

O Infante Portugal vol.3: Diário de Produção | Production Diary


Em jeito de teaser à próxima fase, focada nas 'ilos finais d’O Infante Portugal, apresento o vídeo #2, exibido originalmente no encontro no CNBDI (Centro Nacional de BD e Imagem) que foca a produção dos trabalhos assinados por mim, Susana Resende e o arte-finalista convidado Daniel Henriques.


As a teaser for the next phase, focused on the final illos for The Infante Portugal, here’s the 2nd video, originally shown at the presentation at CNBDI (National Center for Comics & Images), showcasing production steps of the works therein by myself, Susana Resende and guest inker Daniel Henriques.

04 setembro 2012

Comunicado sobre Troféus Central Comics


Agora que o X Troféus Central Comics terminou, encerrando a 1ª década destes prémios de BD e Cartoon onde os vencedores são definidos pelo grande público, venho anunciar o meu afastamento - para já -  da organização do evento (onde participava na elaboração de docs imprensa, gestão da selecção de nomeados e outros aspectos logísticos) e - eventualmente - como membro do júri (colaborando na selecção de nomeados e adjudicação do resultado da votação pública). A manutenção desta última função dependerá de disponibilidade para tal aquando do XI TCC, no 1º semestre/2013, mas é quase certo não ir ter essa vacuidade, agora que, após quase 5 anos afastado de criar BDs a sério, pretendo voltar a produzir.

Não obstante as eventuais ambições artísticas, os motivos da decisão são simples: sem tempo para manter em dia a leitura de edições nacionais pouca capacidade vou ter para continuar a nomear candidatos com o devido conhecimento de causa e, hipoteticamente, podendo constar entre autores e obras elegíveis em prémios futuros, caso edite algo por cá, igualmente não me poderia pronunciar nessas categorias ou estar sequer nomeado, de acordo com o regulamento do TCC (“1.8. (...) Os elementos do júri não podem ser eleitos nos prémios de título pessoal (...), sendo proibidos ainda de participar no processo de selecção dos nomeados se intervirem criativamente em obras elegíveis nas categorias (...)).
Assim, a atitude correcta é retirar-me do evento, até para não fomentar comentários que tentem pôr em causa a idoneidade (impecável) do TCC – ou a minha – agora que ele caminha para a maturidade e maior projecção mediática, associado ao evento de entretenimento Portusaki.

A nível pessoal, tendo acompanhado o Troféus Central Comics desde o começo, não poucas vezes salvaguardado para que ele não desaparecesse e durante anos facilitando o seu funcionamento, ao reunir exaustivamente a lista de edições portuguesas no qual ele se baseava (algo que deixei de acautelar, entretanto), é com algum pesar que fecho este capítulo; posso não ser o pai do evento, mas serei certamente o seu tio... E há que salientar que o TCC tem sido, desde o início, realizado de modo independente e financiado exclusivamente a nível privado, criado por uma entusiasta carolice mas promovido com intentos sérios, pelo que manter-se no activo há já 10 anos e, no processo, atingindo uma abrangente participação pelo público leitor, é decerto um feito valoroso e inédito no nosso periclitante mercado, e também estimulador de uma até então fragmentada comunidade de BD.

Apesar de alguns dissabores ao longo dos anos, tendo de lidar com actos mesquinhos por individuos mal-ajustados (porque há sempre dois lados de se encetar iniciativas destas), o gosto pela edificação do TCC, pela sua mensagem de incentivo à criação e a celebração da BD que este simboliza fez superar tudo isso. O que fica são os conhecimentos travados e desafios ultrapassados, as oportunidades de homenagear tantos colegas e ídolos que o mereciam, e as imensas mensagens de apreço que continuamos a receber dos leitores e pares.

Porém, acho que 10 anos(!) é o suficiente para intervir num projecto desta natureza, ademais não sendo o seu principal promotor ou beneficiário. E venho a sentir que continuar a fazê-lo tornar-se-á incompativel com o que quero procurar a nível profissional; não o digo só face a ter a disponibilidade necessária – que é relevante – mas também sobre me querer prestar criativamente num sector enquanto simultaneamente estivesse a agir nele num âmbito premiador.
Posto isto, renovado o regulamento e categorias do TCC, e estando tratada a nova iniciativa TCC-HD (Troféus Central Comics: Heróis da Década) – que posso dizer ter sido proposta minha – o meu papel nos prémios chega ao fim, certo de que os actuais jurados vão manter o evento em boas mãos, sem risco de desvirtuamento.
Resta desejar que continue a ganhar o melhor – ou pelo menos o preferido da maioria dos leitores – e que o TCC persevere por muitos anos.

03 setembro 2012

X Troféus Central Comics – Os Vencedores


…Estou de volta! Apesar de compromissos profissionais e mudança de casa me tenham forçado a suspender a série de posts dedicado aos trabalhos d’O Infante Portugal vol.3, antes de começar a 2ª parte desses faço um interlúdio para noticiar os vencedores do X Troféus Central Comics, revelados ontem, no último dia do II Portusaki.

Antes de mais, parabéns a todos os nomeados – que é já um feito, face ao criativo panorama nacional – e felizes vencedores, mas gostava de destacar em especial os amigos e colegas André Oliveira, Jorge Coelho e Paulo Monteiro, mais os colaboradores do Atelier Toupeira de Beja, respectivamente pelas consagrações nos prémios Melhor Obra Curta (Animália: Paris Je t’Aime), Melhor Arte (É de Noite que faço as Perguntas) e Melhor Publicação Independente (Venham +5 #08). E claro, obrigado a todos os leitores e fãs que intervieram na votação!

Aqui fica o doc. imprensa completo:

"De volta ao auditório do Hard Club do Porto (no antigo Mercado da Ribeira), a Cerimónia de Entrega do X Troféus Central Comics ocorreu no 2º dia (dia 2/9) do II Portusaki – evento de entretenimento e cultura que celebra a animação, jogos, banda desenhada, música, cinema e TV, e com especial interesse no universo da fantasia, terror e ficção-científica, entre outras vertentes. Apresentado pelo organizador & membro do júri Hugo Jesus e pelo colaborador António Carlos, contou com a presença de vários autores e editores nacionais, bem como críticos especializados e, claro, os incontornáveis leitores.

A marcar o fecho da primeira década de Troféus Central Comics (TCC), e após uma recente afinação dos critérios e categorias do evento (ver neste link), onde são os próprios leitores e fãs de BD que determinam os vencedores, a adesão deste ano sentiu um ligeiro decréscido face a 2011, talvez devido ao periodo veranesco em que decorreu a votação. Todavia, invervieram 730 leitores (91%) e profissionais do sector (9%), que não deixaram dúvidas quanto às obras e autores favoritos editados no ano transacto, apesar de ter havido categorias renhidas.

Os grandes vencedores de 2012 foram, pela segunda vez consecutiva, os heróis Dog Mendonça & Pizza Boy, com os prémios Melhor Argumento atribuido ao escritor Filipe Melo e Melhor Publicação Nacional para o livro As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy vol.2 – O Apocalipse (Tinta da China). Esta nova série nacional sobre o submundo paranormal lisboeta, que também tem conquistado o mercado norte-americano, continua a cativar os leitores portugueses de um modo só anteriormente observado no sucesso, também internacional, da já mítica colecção A Pior Banda do Mundo...!

Outros autores “da casa” também distinguidos do público, desta feita em detrimento de concorrentes estrangeiros de peso, foi a dupla Geral e Derradé, com a colectanea que integra os seus Bad-Summer Boys Band, Há Piores! (Polvo), vencedora agora da Melhor Publicação Humor. A distinção, merecida, sem dúvida beneficiou dos muitos fãs que estes dois autores vêm a cultivar desde 1992, quando se juntaram para assolar os fanzines e festivais de BD portugueses.

Os vencedores estrangeiros este ano são duas obras de autor, não obstante a distância temporal e geográfica que as separa: em Melhor Publicação Clássica, a reedição de Corto Maltese – As Etiópicas (Asa), do mestre Hugo Pratt, distanciou-se expressivamente dos restantes nomeados, consagrando a aposta da Asa em publicar a completa bedeteca do enigmático herói; e na categoria Melhor Publicação Estrangeira distinguiu-se o opus Blankets (Devir), do talentoso Craig Thompson, um livro maduro e multipremiado lá fora, que o público nacional agora igualmente elege.

Seguidamente, a Melhor Publicação Técnica premia o BDjornal (Pedranocharco), cuja última edição (#28) soma ao aperiódico quatro distinções conseguidas no TCC. E a Melhor Publicação Independente – agora vocacionada para destacar fanzines, prozines e álbuns de menor distribuição – também premiou de novo o último número (8) da antologia Venham +5 (Bedeteca de Beja), a publicação-estandarte do Festival Internacional BD de Beja e da comunidade de autores Atelier Toupeira e seus convidados.
É de salientar que ambas as edições são, respectivamente, a mais perseverante edição informativa e de crítica a BD do país, e a mais celebrada antologia de BDs nacionais a ser actualmente promovida por uma entidade cultural com apoio autarquico.

Voltando à produção nacional, o prémio Melhor Obra Curta foi entregue à BD Animália em Paris (in Zona Monstra), de André Oliveira (Argumento) e Pedro Carvalho (Arte); trata-se de uma surreal e hilariante peça de arte sequencial que recentemente foi transposta para animação, num motion-comic disponível online (neste link).
Por último, um dos mais cobiçados prémios do TCC, a Melhor Arte foi conferida a Jorge Coelho (ou JCoelho), membro do The Lisbon Studio e um dos talentosos portugueses a editar na industria de comics, na mini-série Forgetless. A obra que o elege, É de Noite que faço as Perguntas (Saída de Emergência), reune mais autores noutros segmentos de histórias, no entanto esta nomeação elegeu só JCoelho (que superou por pouco o seu colega do The Lisbon Studio, Filipe Andrade, vencedor deste prémio no 9º TCC).

Extra concurso, o Troféu Especial do Júri, distinção que visa homenagear personalidades do sector, foi para Fernando Relvas, um dos nossos “autores completos,” que inspirou uma geração de desenhadores nacionais em álbuns como Karlos Starkiller e L123, entre outros, e igualmente com carreira em rúbricas em jornais, onde criou o Espião Acácio, e que, após ausência de alguns anos, faz um retorno às lides, nomeadamente via livros como Sangue Violeta (Ep Pep) e Li MoonFace (Pedranocharco).

Ainda com uma novidade sobre o TCC para revelar*, por ora divulgamos os dados estatísticos completos:

Melhor Publicação Nacional (TCCN)
 
As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy vol.2 – Apocalipse (Tinta da China) 38,06%
Zona Monstra (Associação Tentáculo) 30,65%
Pop Rock: Trabalhadores do Comércio (Tugaland) 8,39%
A Ermida (Polvo Edições) 6,77%
A Arte de Under Siege (Edições Asa) 4,19%
Futuro Primitivo (Associação Chili com Carne) 3,87%
É de Noite que faço as Perguntas (Saída de Emergência) 3,23%
O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books) 2,90%
Pontas Soltas – Cidades (Edições Asa) 1,29%
Li Moonface (Pedranocharco) 0,65%

Melhor Publicação Estrangeira (TCCE)
Blankets (Devir Edições) 31,65%
Scott Pilgrim 4 – Agora é a Sério (Booksmile) 25,32%
As Águias de Roma I (Edições Asa) 14,77%
Os Emigrantes (Kalandraka) 11,81%
Os Incontornáveis da BD: O Gato do Rabino (O Público/Asa) 10,97%
Mattéo – Segunda Época (VitaminaBD) 5,49%

Melhor Publicação Clássica (TCCC)
Corto Maltese – As Etiópicas (Edições Asa) 41,70%
Dragon Ball 15 – Rivais Poderosos (Edições Asa) 21,08%
Adele Blanc-Sec vol.3 (Edições Asa) 17,49%
Os Incontornáveis da BD: O Vagabundo dos Limbos (O Público/Asa) 10,76%
Os Incontornáveis da BD: Max Fridman (O Público/Asa) 4,93%
Lance vol.3 (Libri Impressi) 4,04%

Melhor Publicação Humor (TCCH)
Há Piores! (Polvo) 35,98%
Dilbert – Liberdade é só uma Palavra para as Pessoas descobrirem que és Incompetente (Edições Asa) 20,09%
Zits 16 – Dá-lhe Gás (Gradiva) 14,02%
As Odisseias de um Motard vol.5 (Motorpress) 12,15%
Tudo sobre os Solteirões (Edições Asa) 11,68%
Baby Blues 28 – Corta! (Bizâncio) 6,07%

Melhor Publicação Técnica (TCCT)
BDjornal #27 (Pedranocharco) 35,44%
Catálogo World Press Cartoon 2011 (WPC/C.M.Sinta) 18,14%
Tintim e a Alph Art (Edições Asa) 15,61%
Manga: Passo a Passo (Loft) 11,81%
Catálogo Tinta nos Nervos (Museu Colecção Berardo) 9,70%
Rotas e Percursos – Veneza, percurso com Corto Maltese (O Público/Asa) 9,28%

Melhor Publicação Independente (TCCI)
Venham +5 vol.8 (Bedeteca de Beja) 44,21%
Cidade Suja (El Pep Edições) 17,60%
Lodaçal Comix (Ruru Edições) 12,88%
BDLP #1 (Extratus) 11,59%
Mr.Klunk e Sr. Klaxon (Livros Espontâneos) 11,59%
Mores et al (Topedro) 2,15%

Melhor Obra Curta (TCCO)
Animália – Paris Je t’Aime; Pedro Carvalho & André Oliveira (in Zona Monstra) 37,50%
A Garagem de Kubrik; Carla Rodrigues & J.B. Martins (Total Film) 25,74%
Onde Jaz o teu Sorriso; Joana Afonso (in BDLP #1) 18,75%
Eu sou uma Nódoa; Nuno Duarte (in Tertúlia BDzine #159) 12,87%
Seattle; Dinis Conefrey & Maria João Worm (in Venham +5 #8) 4,04%
Lig & Mandu: A Alegoria do Palhaço; Nelson Martins & P. Couto e Santos (in Tertúlia BDzine #163) 1,10%

Melhor Argumento (TCCArg)
Filipe Melo (As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy vol.2) 39,08%
André Oliveira (Zona Monstra) 32,75%
David Soares (É de Noite que faço as Perguntas) 10,92%
João Mascarenhas (O Menino Triste: Punk Redux) 7,04%
Rui Lacas (A Ermida) 5,28%
Filipe Pina (A Arte de Under Siege) 4,93%

Melhor Arte (TCCArt)
Jorge Coelho (É de Noite que faço as Perguntas) 25,74%
Filipe Andrade (A Arte de Under Siege) 24,47%
Rui Lacas (A Ermida) 16,03%
José Garcês (O Lince Ibérico) 11,81%
Pedro Brito (Pop Rock: UHF) 10,97%
Ricardo Cabral (Pontas Soltas – Cidades) 10,97%

O póster do X Troféus Central Comics foi ilustrado por André Caetano, ilustrador e autor de BD. Agradecemos a participação como Parceiros do TCC: Apenas Livros, Arga Warga Edições, Edições Asa, O Lobo Mau, Pato Profissional, Pedranocharco e Tinta-da-China Edições.

*Foi ainda anunciado no final da cerimónia a realização no último trimestre de um 2º prémio TCC, intitulado Troféus Central Comics: Heróis da Década (TCC-HD), que propõe ao grande público votar nos “melhores dos Melhores”, definindo assim quais os autores e obras preferidas nestes primeiros dez anos de prémios, integrando os vencedores do XTCC agora revelados. Serão divulgados em breve mais dados sobre a iniciativa, cujo resultado será ser anunciado em 2013, no III Portusaki, junto com os XI TCC."